Dar esmola para criança contribui para que um adulto a escravize: análise a partir do caso da criança que foi sequestrada durante uma celebração em SP

sábado, 30 de junho de 2012

Por Ana Maria

Dar ou nao esmola para crianças? O recente caso (10 de junho) em que uma menina de apenas 4 anos foi sequestrada por um homem durante um culto evangélico no Cambuci, centro de São Paulo, deve servir para que compreendamos que, por tras de uma criança que pede esmola na rua, tem um adulto que a está escravizando, que se sustenta das esmolas que a criança obtém nas ruas das cidades.  

O caso
A menina Brenda Gabriela da Silva, 4 anos, foi raptada por um adulto durante uma celebração da Igreja Pentecostal Deus É Amor. A imprensa noticiou o caso em rede nacional. Quinze dias depois (25.06) um vizinho da criança a reconheceu no colo de um homem que pedia esmola na rua Vergueiro, também na região central de São Paulo. O homem - que depois foi identificado pela polícia como sendo Jorge Antunes Cardozo, de 47 anos, natural de Ponta Grossa (PR), andava com Brenda Gabriela no colo, pedindo esmolas pelo bairro Paraiso. A menina foi reconhecida por um vizinho de sua família, o repositor Alex Ramos de Carvalho, 18, no momento em que o bandido parou em frente a uma loja de doces, onde Alex  trabalhava. Ele disse que, ao reconhecer Brenda, ele se aproximou do homem e lhe disse que ele tinha sequestrado a menina. O sequestrador ainda argumentou dizendo que era pai da criança e que iria pegar o registro de nascimento dela para provar. Alex, entao, tomou a menina do estranho e, com a outra mão, tentou segurar o bandido. No entanto, ele acabou fugindo quando o jovem tentou pegar o celular para ligar para a polícia. A PM logo assomou-se e levou Brenda até o 5º DP (Aclimação), onde ela foi reconhecida e entregue a sua mãe, Geisa Maria da Silva, 30.

Segundo policiais do 6º DP (Cambuci) que investigam o caso, Cardozo e a menina estavam na região do Paraíso desde o dia do sequestro, e dormiam em uma carroça, encontrada nesta manhã, com brinquedos, cupons fiscais e um fragmento de uma conta bancária dentro, o que ajudou na identificação do suspeito.

Vamos pensar sobre o caso
O homem sequestrou a criança para usá-la para pedir esmolas. Presume-se que ele pediria esmola com ela no colo até que o momento em que ela, já crescida, pudesse pedir sozinha para obter o ssutento dele e dela. Veja que destino cruel aquele homem estava determinando para a pobre menina, condenando-a a viver como pedinte para sustenta-lo.
Quantas Brendas temos por aí, pedindo esmola pelas ruas para sustentar um, dois adultos?  

É comum que crianças assomem-se às janelas dos veículos de classe média tao logo fecha o semáforo para pedir uma ajuda para o almoço. Constrangido pela visível necessidade da criança que pede alguns trocados, é quase impossível que o motorista não se sinta impotente diante desta triste realidade e acabe doando as moedas que possui. O doador crê que está ajudando pois não ceder pode significar que aquela criança não terá o que comer. No entato, a grande verdade é que, ao doar, o caridoso pode estar contribuindo para que a criança continue nas ruas e, na maioria das vezes, sendo explorada por algum adulto.

Embora o ato de oferecer esmolas esteja na cultura do povo brasileiro por ser considerado um gesto solidário (enxerga-se nisso uma forma de sentir-se bem em ‘ajudar’ ao próximo), esta prática assistencialista é perigosa. O caso do homem que sequestrou Brenda prova que o ato de dar esmolas está alimentando a criminalidade. Está levando adultos a escrevizarem crianças para que vivam pelas ruas em busca de esmola que os sustenta sem trabalhar.


Conscientização da sociedade

Devemos estar cientes do risco social a que estas crianças que pedem esmolas estão submetidas. Devemos compreender o problema e como ele se sustenta e combater essa prática de financiar a miséria. Devemos nos conscientizar que quem dá esmola tira a oportunidade de futuro.

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